Rede internacional de pesquisa "Imagens, Geografias e Educação"

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SANTA CATARINA

RESUMO E PARTICIPANTES

Pólo Florianópolis/SC

GEOGRAFIAS DE EXPERIÊNCIA

Coordenadoras

Ana Maria Hoepers Preve (UDESC) e Karen Christine Rechia (CA/UFSC)

Pesquisadores

Tomás Figueiredo Fontan (CA/UFSC), Karina Rousseng Dal Pont (FAED/UDESC) Danilo Stank Ribeiro (Geo/UDESC), Larissa Corrêa Firmino (PPGE/UFSC), Camila Heinz Mannes (CA/UFSC), Thomas Soltau (CA/UFSC), Gabriel Esteves (CA/UFSC)

Do Grupo

O grupo se constituiu, inicialmente, por integrantes que desenvolveram/desenvolvem pesquisas individualmente e que se conectam ao interesse pela investigação com imagens, cidade, educação e geografias. Imagens produzidas em trabalhos de oficinas e análise de imagens pictóricas, cinematográficas e fotográficas que circulam em nossa sociedade. Nossos interesses passam pelo estudo do espaço como uma imbricação de trajetórias, marcado pela multiplicidade (MASSEY, 2008) e pelos estudos da subjetividade (GUATTARI, 1992). Tais noções constituem um campo para o estudo que vimos empreendendo em nossas pesquisas, apoiadas nos autores que, de alguma forma, colocam sob suspeita o poder de representação dos mapas e das imagens que se interpõe entre as pessoas e o mundo.

Dessa forma, nosso objetivo como grupo pretende contemplar as trajetórias de pesquisa dos integrantes, bem como o esboço de uma proposição que tenha como ponto de articulação uma cidade que não cessa de se produzir e de ser produzida por imagens. Os estudos se voltarão para a cidade tomada como imagem e a cidade tomada por imagens e seguirão inventando espaçamentos na cidade, imageando a cidade e analisando a cidade imageada. É sempre a cidade e sempre o ato de cartografar que está implicado na pesquisa.

Almejamos a elaboração de procedimentos, notadamente através de oficinas e pesquisa com as imagens disponíveis / captadas / produzidas sobre a cidade de Florianópolis, possibilitando experimentações que mobilizem diferentes percepções desse espaço urbano.

Gerar uma tensão no hábito consolidado por uma prática geográfica escolar de pensar os mapas e o espaço é um dos pontos importantes desse trabalho, cuja ênfase recai na apresentação dos resultados de uma pesquisa em educação e geografia na qual, entre outras coisas, as oficinas como meio para inventar espaços diferentes no espaço conhecido e percorrido.

Nessa perspectiva, a proposta das oficinas é a de oferecer elementos para provocar os deslocamentos necessários a tais invenções e, a partir daí, pensar o que Massey chama de ‘hábito de pensar o espaço como uma superfície’, como o que se percorre na extensão do território. Essas invenções possibilitaram pensar os novos espaços como espaçamentos, ou seja, que entre um espaço e outro espaço há um vazio, um espaço lacunar, um fora do espaço no espaço. Algo que, estando em relação com o espaço dado, não se reduz e não se limita a ele. Algo que mobiliza uma potência de invenção que torna possível, a um só tempo, inventar-se e inventar mundos, cartografá-los, produzir mapas e deslocar-se intensivamente por esses espaçamentos.

Nessa direção, pesquisas já foram concluídas, outras estão em curso e outras, por sua vez, desenham-se na medida em que este subgrupo se configura.

No percurso deste tipo de trabalho, a tese intitulada Mapas, prisão e fugas: cartografias intensivas em educação defendida na UNICAMP em setembro de 2010 de autoria de Ana Maria H. Preve tratou da produção e do estudo de imagens produzidas em oficinas pelos internos do Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico de Florianópolis/SC que resultou na elaboração da noção-ferramenta mapas-intensivos.

Outra pesquisa que se constitui numa tese de doutorado em andamento (FE/UNICAMP-SP), de Karen Christine Rechia, intitulada O jardim dos caminhos que se bifurcam: cinema e educação tem como questão central a noção de vidência deleuziana como potência de mobilização do pensamento a partir de um conjunto de imagens fílmicas produzidas numa experimentação urbana. No Colégio de Aplicação da UFSC/SC iniciou o desenvolvimento do projeto de pesquisa e extensão denominado CINEMA E EDUCAÇÃO: uma proposta investigativa e propositiva para uma mobilização da cultura docente e discente com professores da rede pública de ensino.

É orientadora PIBIC/CNPQ de dois estudantes do Ensino Médio do CA/UFSC. Thomas Soltau, do 3º ano, tem um projeto intitulado Cinema Novo: Uma Experiência Audiovisual, cujo objetivo é compreender o Cinema Novo através do contexto histórico do Brasil, e suas características culturais, econômicas, políticas e sociais, como estas características estavam presentes nos questionamentos dos intelectuais e artistas da época mas, principalmente, produzir um trabalho audiovisual que contenha as matrizes estéticas presentes no cinema novo, com uma temática contemporânea, no espaço urbano. Camila Heinz Mannes, aluna do 2º ano, realiza pesquisa com o título Florianópolis: A Cidade Como Um Palimpsesto. O principal objetivo, como o título enuncia, é o de caracterizar a cidade como um palimpsesto, um pergaminho muito antigo, que após escrito podia ser raspado e utilizado novamente. Para rastrear os vestígios desta cidade-pergaminho, metodologicamente faz uso da experiência da flanerie, da memória e de um conceito de paisagem como um enquadramento do olhar no tempo e no espaço.

A pesquisa de Karina Rousseng Dal Pont Geografia, arte e ensino: outros modos de produzir uma educação cartográfica vem sendo desenvolvida junto às alunas do Curso de Pedagogia da UDESC-SC e visa tencionar linhas possíveis para se pensar a partir da “leitura geográfica das imagens” (SEEMANN, 2009) as potencialidades do mapa e outras formas de representações do espaço a partir da produção da cartografia como linguagem. Deseja-se criar um diálogo entre o ensino de cartografia e os processos de produção artística de Jorge Macchi e suas intervenções no mapa, para assim contribuir para a construção de cartografias complexas de espaços complexos.